Murça

A história da área em que o concelho de Murça se fixou remonta ao Paleolítico (vestígios com cerca de 500.000 anos encontrados em Noura). Desde essa época, o seu território foi provavelmente povoado de forma contínua, pois muitos são os indícios de diferentes períodos de ocupação. Há registos arqueológicos do Mesolítico (também em Noura), do Neolítico (Candedo e Jou), e da Idade do Bronze (Jou, Murça, Fiolhoso). Da época castreja, existem antigos povoados fortificados, a maior parte deles da Idade do Ferro.

Cadaval

A fotografia deste relógio de Vilares foi tirada do Blog Relógios de Sol em Portugal.
Depois encontrámos num pdf da Revista Memória Rural No. 2 de 2019 – Artigo Memórias das sombras do tempo nos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Alijó e Murça de António Luís Pereira.
uma foto da face posterior deste mesmo relógio e uma descrição bastante completa sobre ele onde nos diz que não se encontra no local original e que neste momento é meramente decorativo. Os dois mostradores verticais longitudinais não têm grande explicação a não ser decorativo. Se quiserem dar-se à curiosidade de ler o artigo, é bem interessante.

Cortinhas

Estamos perante mais um belo exemplar, onde emerge uma gramática decorativa bastante elaborada e de elevado valor estético. O relógio de sol da aldeia de Cortinhas situa-se sobre a lateral da porta de entrada de uma casa de arquitetura tradicional, a coroar uma esquina onde remata o telhado da habitação que funcionou como a antiga Escola Primária desta pequena localidade. A peça é suportada por uma peanha simples com rebordo boleado, a que se segue um friso decorado com um motivo triangular ladeado por duas pequenas barras laterais em alto relevo, que uma vez associados parecem desenhar a letra M.  Na zona do quadrante rasga-se uma abertura em forma de meia lua de onde emerge uma cara pantafaçuda, constituindo mais um exemplo da representação humanizada do sol. Abaixo dessa cabeça foi delineado um raiado equidistante que corresponde à marcação dos graus horários e medido destes à escala. Como já observa-mos para outros casos onde surgem as caras como representação humanizada do sol, também aqui o gnómon arranca da boca desse motivo antropomórfico para projetar a sua sombra sobre o plano vertical do mostrador.
Esta descrição também foi encontrada num pdf da Revista Memória Rural No. 2 de 2019 – Artigo Memórias das sombras do tempo nos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Alijó e Murça de António Luís Pereira.

 

Esta foto foi-nos oferecida pelo Posto de Turismo de Murça a quem agradecemos reconhecidamente.

Fiolhoso

Tipologicamente enquadra-se no grupo vertical meridional com exposição a sul e gnómon de ferro perpendicular e bem vincado na relação com o mostrador. Todo este disco pousa sobre numa peanha com rebordo duplo e base escadeada. É possível que a parte posterior tenha também decoração, mas se tal suposição for verdadeira, está só será possível de comprovar com uma escalada até ao telhado da Igreja.

Fotos obtidas no site da Câmara Municipal de Murça

Se os relógios de sol fazem parte da arte escultórica do tempo, o que se encontra em Fiolhoso é um dos exemplares mais bem concebidos a nível estético. A peça exibe uma bem proporcionada e elaborada plástica decorativa e pousa elegantemente na bordadura do telhado da igreja paroquial local, na sua fachada sul, próximo da zona em que a nave do templo estabelece a divisão com a capela-mor. Trata-se de um exemplar que exibe um elevado rigor técnico e cuja decoração assenta numa configuração circular interrompida por uma abertura central em forma de cálice onde se inscreve a imagem de uma cara pantafaçuda, radiante e coroada, que sugere a representação antropomórfica do sol. O topo é rematado com um motivo vegetalista e abaixo deste abrem-se duas reentrâncias relevando um semi-arco que surge a ornar cada uma das laterais. A leitura horária é feita no restante espaço que sobra da área discoidal, sendo aí que nasce o raiado dos segmentos de reta que assinalam as marcações basilares das horas. O disco granítico possui uma lateral espessa também preenchida por uma modelação decorativa baseada num aparente enxaquetado, embora os pormenores sejam difíceis de observar devido à altura a que se encontra este relógio.

Vilares

Relógios de Sol da Aldeia de Vilares, Murça. À direita, o “Capitão”, situado numa casa da Rua do Capitão. A escultura expõe a imagem de um indivíduo fardado com uniforme militar, trajando calças, cinturão, casaca e chapéu. Nos ombros patenteiam-se umas divisas que assinalam a hierarquia militar do representado.  À esquerda, um relógio integrado na parede de uma casa rural da aldeia de Vilares, constituído por duas peças distintas, tendo a inferior uma função exclusivamente decorativa, composta por um nicho com um ramo petalado de cor azul que suporta uma cabeça raiada, fazendo lembrar a representação estilizada de um girassol, surgindo aqui com expressa alusão ao sol enquanto elemento que  assum, mais uma vez, a representação antropomórfica.
Revista Memória Rural No. 2 de 2019 – Artigo Memórias das sombras do tempo nos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Alijó e Murça de António Luís Pereira.

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