Cabril
A nossa história está cheia de lendas e milagres, principalmente nas aldeias serranas e mais isoladas, e muita da toponímia desses lugares está associada a esses fatores tanto para o sagrado como para o pagão , mesmo quando se consulta documentos antiquíssimos, e quando os mesmos se referem a sítios e lugares que lhes é difícil explicar a sua origem, logo são ligados à existências sobrenaturais, seja para o bem ou para o mal, ou simplesmente na linguagem popular “são antigos, são do tempo dos Mouros.” Se há lugar que contêm todos esses ingredientes, é o lugar de S. Ane, uma pequena aldeia situada no vale de Cabril e encravada nas serranias do Gerês. Segundo a lenda S. Ane e o vale de Cabril tiveram como primeiros habitantes dois irmãos que andavam a cavalo a procura de terras férteis e desertas de gente, e quando chegaram ao vale de cabril, fizeram aí seu assento e repartiram o rio de Cabril, ficando um de um lado mais os cavalos, daí o nome da aldeia de Cavalos, e o outro em S. Ane em frente um do outro, mas o de Cavalos ficou com a melhor parte do Vale o que obrigou os de S. Ane a subir as montanhas do Gerês em busca de mais terrenos de cultivo, por isso não é de estranhar que grande parte dos currais da serra do Gerês sejam pertença de famílias do lugar de S. Ane e do Vale de Cabril.
Foto de António Lobato Costa
Lapela
Lapela enquadra-se num mosaico agroflorestal, numa zona mais aplanada no topo de uma das encostas voltadas ao rio Cávado. É o último lugar do termo leste da freguesia de Cabril, separando-se da vizinha freguesia de Outeiro pela ribeira das Cavadas, um curso de água de montanha famoso pelas suas cascatas.
Lapela é um dos lugares mais célebres de Cabril, pois foi aqui que nasceu João Rodrigues Cabrilho, um navegador e explorador português do século XVI. Ao serviços da Coroa Espanhola, João Rodrigues Cabrilho terá sido o primeiro europeu a desembarcar no que é atualmente o Estado da Califórnia.
Foto em cima: Fernando ribeiro – Olhares sobre um Reino Maravilhoso
Orméche
Curioso relógio de Sol em granito, com numeração romana. O gnómon sai da boca de uma cabeça humana. Está datado de 1834.
A foto é de J.B.César – Todas as Aldeias do Alto Tâmega.
Pincães
No lugar de Pincães conservam-se ainda núcleos de construções tradicionais pouco alterados, que nos contam muito sobre as tradições e a cultura desta comunidade de montanha. São exemplos os espigueiros, os moinhos, as cortes do gado e as casas de habitação, as calçadas que marcam o caminho para a serra ou para os campos agrícolas, o lagar, a Pedra d’Água, entre outros. Os costumes e as atividades tradicionais permanecem bem vivos. O quotidiano das pessoas que aqui vivem continua a ser marcado pela lida do gado e dos campos e pelo aproveitamento dos recursos do baldio. O fumeiro e o mel são também atividades económicas importantes para esta comunidade.
Estas fotos de relógios de Sol em casas senhoriais em Pincães foram tiradas do blog Relógios de Sol em Portugal.
Encontrei esta foto no facebook com a inscrição que se segue. Desconheço o autor. Refere-se certamente um relógio de rega dos quais já restam muito poucos no país.
Construída em forma de dólmen e cuja tampa funciona como um relógio de sol relativamente ao tempo de água de rega a que cada lugar da povoação tem direito. Uma inscrição colocada a seu lado dá informações mais pormenorizadas sobre a natureza e finalidade desta pedra.







